No sexto episódio, profissionais da área criminal discutem os desafios e o futuro da profissão
Nesta segunda-feira, dia 27, a OAB Criciúma lançou o sexto episódio do podcast Papo de Advogado. A conversa teve como tema central a advocacia criminal, uma das áreas que mais exigem preparo técnico, responsabilidade, estratégia e capacidade de resposta. Diante de situações urgentes, que envolvem a liberdade, a dignidade e outros direitos fundamentais, o episódio também abordou os desafios atuais e o futuro da profissão.
O episódio foi apresentado pelo secretário-adjunto da OAB Criciúma, Antônio Salfer. Participaram do debate o advogado criminalista e professor universitário, Leandro Alfredo da Rosa; o presidente da Comissão de Assuntos Prisionais da OAB Criciúma, Thalys Ricardo Batista; e o vice-presidente da Comissão de Assuntos Prisionais da OAB Criciúma, Luís Felipe de Mello.
Durante o episódio, os advogados comentaram as principais dificuldades do exercício da advocacia criminal, tanto para os profissionais que já construíram uma carreira quanto para os recém-formados. Um dos pontos levantados foi a inteligência artificial (IA), além dos cuidados necessários e das mudanças na forma de escrever uma petição.
“Existem profissões que vão terminar e outras não. Mas, especificamente na advocacia criminal, a IA pode abrir alguns leques de linhas de raciocínio, mas ela não faz perguntas na audiência, não vai à delegacia, não fala com a família e não acolhe. A advocacia criminal é inerente à liberdade, à vida humana, à empatia com a dor do outro e ao ato de falar e ser a voz do acusado no processo”, comenta Salfer.
Além de refletirem sobre o futuro da carreira, os profissionais comentaram a forma de escrever as petições, considerando que os juízes poderão utilizar a IA para ler os processos.
“A implementação da inteligência artificial trouxe um desafio enorme para o advogado. Ficamos na encruzilhada de saber com que velocidade deve se adaptar a essa IA. Também existe a responsabilidade de saber se os julgadores já estão utilizando essa tecnologia e como podemos nos adaptar a ela para que o resultado do nosso processo seja positivo, pois o magistrado vai usar a IA para ler a sua petição”, enfatiza Mello.
Combatividade com ética
O episódio também tratou do posicionamento do advogado criminalista, que precisa manter um diálogo institucional respeitoso e, ao mesmo tempo, adotar a firmeza necessária para defender o cliente e questionar decisões ou procedimentos. O advogado criminalista e professor universitário reforçou que o profissional é advogado em todos os lugares e precisa manter uma postura ética.
“Sempre que eu saio para trabalhar, vem à mente a ideia da instituição que represento e de como gostaria que todos vissem essa instituição. Cada um deve exercer esse papel de manter a força da instituição no Brasil, no estado e na Subseção. É preciso pensar se quero crescer enquanto pessoa ou enquanto instituição. O crescimento coletivo também é importante”, acrescenta Rosa.
Para incentivar e orientar os novos profissionais da área, Batista complementa que o jovem advogado precisa se inspirar em exemplos éticos e próximos da realidade. “Muitas vezes, esses advogados que estão iniciando têm a experiência do Direito e do processo, mas não têm a experiência da advocacia, e isso é construído dia após dia. Talvez o que falte seja se espelhar em pessoas que estão nessa trajetória de forma ética. Você precisa saber onde está e entender onde estão as peças do jogo”, aponta.
Confira o podcast
Os interessados em assistir ou ouvir o programa podem acessar ao Spotify ou YouTube da OAB Criciúma.
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